Inaugurado em Março de 2011, encerrado em Maio de 2014, reaberto sob o mesmo nome mas diferente endereço em Agosto de 2016, é este um pequeno e doméstico espaço onde se olha o passado, o presente e o futuro da maior potência desportiva Nacional.
Ademais, este é um blogue pessoal no qual se vêem analisados outros temas bem como um depósito para comentários que vou deixando um pouco por toda a parte.
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O desenvolvimento da prática desportiva feminina em Portugal tem sido extraordinariamente lento, contra os inúmeros preconceitos ... Os esforços realizados desde 1934 para trazer a prática de diversas modalidades às raparigas portuguesas, não alcançaram mais do que um êxito discreto e desviaram-se, por vezes, do caminho conveniente.
Figueiredo, Alberto. O Desporto e a Educação Física da Mulher. Lisboa: Boletim do Sporting Club de Portugal, 1936.

À triste realidade pelo parágrafo descrita, motivado pela democratização da prática desportiva e empenhado na abolição das noções que perpetuavam a discriminação das mulheres portuguesas, responderia o Sporting com a maior reforma desportiva do século XX em Portugal.

«A minha mãe disse-nos que devíamos praticar jogos de desporto, uma vez que a educação física na escola era desadequada e perigosa. Muitas vezes as minhas colegas saíam danificadas porque faziam-nos transportar blocos de peso exagerado, puxar cordas e correr em circuitos florestais ou de lama que nos prejudicavam os tornozelos. O meu pai, vanguardista educativo, nunca me deixou participar. Mais tarde, quando o Sporting inaugurou os primeiros complexos públicos de ginásios dedicados prioritariamente a raparigas, vi-me imediatamente inscrita. Lá, depois das aulas de música onde escutávamos sinfonias e aprendíamos o piano e a flauta sob supervisão das treinadoras sportinguistas, descobrimos que os jogos lúdicos e a educação desportiva aprofundavam a sensação de liberdade e de emancipação que o Sporting proporcionava. Contrariando as normas vigentes, em oposição às instituições da época, as professoras do Sporting consideravam os nossos ciclos menstruais mas fizeram-nos ver, simultaneamente, que não existia incompatibilidade entre o organismo feminino e o exercício físico
-- Patrícia Gouveia (hoje de 94 anos)

A prática desportiva não pode ser livre e amplamente consentida à mulher, porque a sua fragilidade fisiológica não suporta impunemente, nos casos gerais, a violência dos esforços de determinadas modalidades. Em todos êstes assuntos de prática desportiva feminina, não devemos limitar-nos a apreciar a mulher como um sêr de potência física inferior à do homem, mas sim e sobretudo como uma individualidade fisiológicamente distinta.
A mulher portuguesa, educada no desconhecimento absoluto da cultura física elementar, não pode ser vítima de entusiasmos precipitados. Há, de facto, a maior vantagem em atraí-la à familiaridade dos exercícios físicos, mas dentro de critérios rigorosos de prévia selecção.
Estas considerações iniciais são particularmente destinadas às consocias «leôas» e aos consocios cujas filhas estão na idade deliciosa da risonha primavera. Servem para lhes mostrar uma necessidade e um perigo.
O Sporting ponderou cuidadosamente êste assunto e pôz ao serviço das suas associadas os grandes recursos de que dispõe.
Foi criada, em primeiro lugar, uma classe de gimnástica feminina, aberta depois a inscrição para a prática de esgrima e de certos jogos considerados próprios, como o ring-tennis, o basket e o hand-ball, sem falar da escola de natação que há já bastantes anos funciona no nosso posto náutico.

À mulher é indispensável a cultura física para conservar a mocidade e a saúde. O Sporting ponderou cuidadosamente êste assunto e pôz ao serviço das suas associadas os grandes recursos de que dispõe.

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Thursday, 29 December 2016

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