Wednesday, 26 April 2017

Primeiro joga-se. O resultado é aquele que for. Relembrar o corajoso técnico de Santarém que há 20 anos, na idade do jogo, toureou meia Europa e colocou o Sporting no centro do mapa do futebol Europeu.


Em 2004/05, na 1ª mão, fomos jogar a Newcastle e perdemos por 1-0. Tratou-se de um resultado muito ingrato já que cada golo adversário, no nosso estádio, na 2ª mão, significaria nada menos do que um tiro no porta-aviões. O primeiro do adversário obriga-nos a responder com 3. Muito difícil, até para a turma que em Roterdão já mostrara não existirem impossíveis. Antes de recebermos os Ingleses em Lisboa, na 2ª mão, José Peseiro afirmaria, «mesmo que o Newcastle faça 1 golo teremos hipóteses de marcar os suficientes para ganhar a eliminatória».

A eliminatória começou a ser ganha aqui, muito antes do apito inicial.

Não obstante as fragilidades defensivas, a equipa do Sporting em 2004/05 exibia muita coragem, classe, saber-fazer, onde em cada jogo, em cada estádio, independentemente do adversário, em campo mandávamos nós.
Primeiro joga-se. O que tiver de acontecer, acontecerá. «Mesmo que o Newcastle faça 1 golo teremos hipóteses de marcar os suficientes para ganhar a eliminatória».

Wednesday, 19 April 2017

Quatro minutos na vida da Carmen Miranda do desporto Nacional.

Durante a essencial maquilhagem, oportunidade para que se contemple e se deslumbre com a sua própria importância, oportunidade ainda para repousar já que entre estúdios, revistas cor de rosa e redes sociais, a vida do presidente do Sporting é uma canseira, "vamos a isto", diz ele, e ao momento em que junto ao caniche de estimação, de peito feito, discutem coisas tão importantes como "o texto que ele (alguém do Benfica) escreveu" algures sobre alguma coisa para alguém. Alertado para o facto de Dias Ferreira discutir precisamente esse assunto, maquilhada, de forma totalmente imprevista e não-ensaiada, entra a nossa Carmen Miranda triunfante estúdio adentro para abraçar o aniversariante.

Eles até tremem.

Tuesday, 18 April 2017

A melhor arena do mundo. Em tempos, guardada por cavalos do Sporting.

Nem sempre o Wembley foi o Wembley. A catedral do futebol mundial, desta forma descrita por Pelé, capital e coração do futebol, precisou de apenas 300 dias para se ver erguida,  concluída 96 horas antes da data prevista para a sua inauguração. Nascido e baptizado com o nome de Empire Stadium, oficialmente, British Empire Exhibition Stadium, a 28 de Abril de 1923 estava pronto para receber o seu 1º jogo de futebol. Com o Rei George V na tribuna, Bolton Wanderers e West Ham jogariam a final da FA Cup. Tendo a inauguração despertado fascínio nos 3 cantos de Inglaterra, e com uma rede de caminhos de ferro muito avançada para o tempo, os organizadores esperavam lotação esgotada. Fortaleza do futebol Inglês, construído sob esse desígnio, o Empire Stadium fora dotado com a magnífica capacidade para 125 000 pessoas. Naquela tarde, todavia, apareceu uma multidão de 300 000. À falta de controlo, todos entraram. O resultado foi este:


 
Juntamente com a final do campeonato do mundo em 1950, entre Brasil e Uruguai, no Maracanã, são estes os 2 jogos com as maiores assistências na história do futebol. No Maracanã, apesar dos nºs oficiais apontarem para os 173 000, estima-se que 210 000 pessoas terão assistido ao jogo no estádio. A Norte de Londres, no Wembley, ficou para a história o caos que antecedeu a partida. À hora do começo do jogo o relvado ainda se encontrava inundado por uma multidão que não tinha simplesmente para onde ir. Horas antes, a chegada do Rei George V fornecera ao caos uma atmosfera pacífica. «A multidão cooperou» e com a chegada da polícia montada foi-se ela própria empurrando além dos limites do relvado. O objectivo não era retirar espectadores  mas libertar o rectângulo para que as duas equipas pudessem iniciar o jogo.

Naquele dia também ficou para a história um cavalo de nome Billie.

A icónica imagem de um corajoso cavalo branco em face da multidão.
Em boa verdade, o cavalo era cinzento, mas no rolo o negativo exibiu-o branco. Popularizada pela «Times», a imagem simbolizou o fenómeno.

Começando com 1 hora de atraso, o jogo ficou conhecido pela 'White Horse Final', e quem nos dias de hoje visitar o novo Wembley saberá, no acesso pedonal ao estádio, o porquê de atravessar a 'White Horse Bridge'.

«As my horse picked his way onto the field, I saw nothing but a sea of heads. I happened to see an opening near one of the goals and the horse was very good – easing them back with his nose and tail until we got a goal-line cleared. I told them in front to join hands and heave and they went back step by step until we reached the line. Then they sat down and we went on like that ... it was mainly due to the horse. Perhaps because he was white he commanded more attention. But more than that, he seemed to understand what was required of him. The other helpful thing was the good nature of the crowd» 
-- PC George A. Scorey, Billie's (policeman) rider

Sunday, 9 April 2017

Vi-o, sei que existe, e quem não passou os finais dos anos 80 em coma sabe literalmente o que é ser feliz.

Qual é a diferença entre heróis e heróis? Os primeiros são como quaisquer homens: comuns, embora muito especiais. Os segundos são maus actores. Os primeiros articulam ilusão e o nosso maravilhamento de infância para nos ensinar qualquer coisa. Os segundos, no melhor das hipóteses, entretêm-nos.

No universo dos heróis, cada um tem os seus, consoante o que retiramos a partir do que vemos, certo sendo que podemos todos olhar para a mesma coisa, e vendo-a, ver coisas diferentes. «Não há mistério, só magia».
MacGyver é, sê-lo-á sempre, um dos meus predilectos heróis, e quem achar que se trata de um actor ou que na realidade não existiu, é parvo.
Vi-o, sei que existe, e quem não passou os finais dos anos 80 em coma sabe literalmente o que é ser feliz.

Também sinto saudades do Indiana Jones.

Friday, 7 April 2017

«Isto vai ser o que for, mas pelo menos hoje não estou voltado para o sacrifício. Se der para o torto, marcho»

02h:07m:11s, e recorde mundial da maratona para o melhor atleta Português de todos os tempos, passado e futuro. Estávamos em 1985, a 20 de Abril, em Roterdão, e um homem ímpar exemplificava uma vez mais o alcance das palavras que o seu treinador proferiria muitos anos depois, Professor Mário Moniz Pereira, «tão bom na pista, no cross ou na estrada. O melhor de sempre». Assim foi Carlos Lopes. Assim é Carlos Lopes.
No final da prova de Roterdão, o «L'Équipe» escreveria: Fantástico! Extraordinário! Não existem palavras suficientemente fortes para classificar a proeza de Carlos Lopes. Em menos de três anos, tornou-se no primeiro homem a aproximar-se do irreal. Quem poderia pensar, há 20 anos, que um homem pudesse correr a Maratona a vinte quilómetros por hora?

A fotografia eterniza o momento em que cortou a meta.

Há sensivelmente 34 anos, 2 anos antes do recorde mundial da maratona, o mesmo atleta vincara o recorde Europeu com o tempo de 02h:08m:39s.
Foi na mesma prova, em Roterdão, a 09 de Abril mas de 1983.

Thursday, 6 April 2017

A má influência de muitos empresários no destino de muitas equipas.

Passando há instantes pelo 'O Jogo', vê-se destacado o percurso da equipa da Marco Silva na Premier League. Se o campeonato tivesse começado desde que o Português treina «os tigres», o Hull seria neste momento o 4º classificado em Inglaterra.
A escolha de um treinador para um clube grande não é uma tarefa fácil, especialmente se incidirem sobre técnicos que nunca treinaram equipas com um perfil (preferencialmente) dominador e que jogam, em 80% do tempo, frente a adversários que defendem com muitos. A escolha de um treinador para uma equipa grande não é uma missão fácil, especialmente numa liga como a portuguesa onde desde 2009, amigo Jorge Jesus, as equipas campeãs Nacionais perdem pouquíssimos pontos por temporada.
Sem menosprezo pelo Valência de Espanha, o FCP é de certo modo a primeira equipa grande que Nuno E. Santo orienta.

É público que há não muito tempo o FCP pretendeu recrutar o ex treinador do Sporting, hipótese que se viu confirmada pelo próprio Marco Silva. Possivelmente, em virtude de uma combinação de razões de natureza diferente, a escolha do FCP acabou por incidir sobre Nuno E. Santo. Não pretendendo (nem estando capacitado para) sugerir que um é melhor relativamente ao outro, podemos todavia imaginar a influência que Jorge Mendes terá tido nessa mesma escolha, Jorge Mendes que é sem dúvida o maior impulsionador da carreira de NES (pelo menos) desde os tempos em que treinou o Rio Ave.

Estando Marco Silva aparentemente disponível, é possível que a escolha do FCP não tivesse sido a melhor.
Imagem, aqui (Olympiacos).

Tuesday, 4 April 2017

Os adeptos de Manchester à espera de José Mourinho.

Sir Alex, qual é o segredo para vitórias que se arrastam ao longo de 30 anos? Dificilmente existirá um. Antes,  muita competência. No caso do Escocês não foi só em Old Trafford já que antes de ingressar no gigante Inglês, em 1986, Sir Alex quebrou pela primeira vez em 15 anos a hegemonia dos 2 grandes clubes de Glasgow, Celtic e Rangers, vencendo com o Aberdeen nada menos do que 3 campeonatos Nacionais, 4 taças da Escócia, 1 taça da Liga Escocesa, 1 taça dos Vencedores das Taças em 1983 e a supertaça Europeia no início da época seguinte. Na supertaça Europeia superou o bicampeão Alemão e campeão Europeu Hamburger SV. Na final da taça dos Vencedores das Taças derrotou o todo-poderoso Real Madrid em Gotemburgo. Nos quartos-de-final já superara o Bayern Munich de Michael e Karl-Heinz Rummenigge, então detentores da taça da Alemanha e vice-campeões Europeus em 1982, derrotados (emblema Germânico) na final frente aos «Leões» de Villa Park, a rampant gold lion on a light blue background with the club's motto underneath: Prepared, Aston Villa.

«He is a kind of genius» -- Eric Cantona

Qual é o segredo para as suas vitórias? Numa palavra: tudo. Talento, vocação, competência, pertinência, capacidade de mudar, permanente actualização nos domínios do treino, das opções sobre o jogo, do comando de uma equipa, o instinto e as suas já célebres características pessoais e humanas.
Para fazê-lo ao longo de 30 anos no mesmo clube é preciso incessante paixão pelo jogo e, de algum modo, amor por esse mesmo clube.

Vem tal a propósito de um debate sobre as qualidades que José Mourinho, no último ano, parece não conseguir emprestar ao clube de Old Trafford, copiando as decepcionantes prestações de Madrid e de Londres (última passagem), não obstante alguns títulos conquistados nestes emblemas. Ao contrário do que José Mourinho porventura imagina, a admiração granjeada ao longo de 10 anos nunca esteve de grosso modo relacionada com os títulos que venceu. Estes foram somente um reflexo do seu trabalho. Da sua qualidade. Muito mais do que títulos, impressionante era a brutal capacidade que as suas equipas demonstravam em campo. Especialmente o FC Porto. Num nível abaixo do FCP porque incrivelmente mais difícil, Chelsea (1ª passagem) e Inter de Milão. Esse José Mourinho há muito que desapareceu. Ao longo de 4 anos nunca foi visto em Madrid. Não reapareceu em Stamford Bridge. E teima em não reaparecer em Old Trafford.

É provável que nunca reapareça.

Afirmava há 2 dias Jamie Redknapp: when I played against United, at times there would be seven or eight men in your box, it sometimes felt like there were 13 United players on the pitch. I used to count them to make sure Fergie wasn't up to any tricks!

Recordam o FCP de José Mourinho?
Não pareciam 13 mas 15, mesmo quando jogavam com 10 ...

What I can say is that we've tried. We had 6 players, for me, who were absolutely phenomenal in their attitude, mentality and consistency. And then you have 4 creative players, 4 you need to score a goal for you and they didn't. They don't have consistency. -- José Mourinho

No último fim-de-semana, na sequência de 2 pontos perdidos e de mais uma exibição decepcionante, afirmou o Português que a sua equipa esteve bem à excepção dos 4 jogadores da frente, responsabilizando-os (a meias com o GR) pelo mau resultado. Pobre visão esta de quem espera que os 4 jogadores mais avançados desbloqueiem jogos, vencendo-os, atribuindo aos restantes a missão de não os perder. José Mourinho não é isto. Mais preocupante: um discurso há muito desfasado da realidade, perdido no tempo, agarrado a uma imagem, sem qualquer perspectiva, e uma incrível falta de paixão e até de interesse pelo jogo, visíveis na forma aborrecida e enfadada como versa sobre este. Este José Mourinho não tem rigorosamente nada a ver com o José Mourinho pelo qual nos apaixonámos. Dizem muitos adeptos do emblema Inglês que a José Mourinho, em virtude das suas características pessoais, não obstante as dificuldades que enfrenta, deverão os executivos do clube dar-lhe carta branca para que ao longo dos próximos anos reanime o gigante de Manchester. Serão essas características pessoais e uma imagem relacionada a feitos do passado suficientes para devolver a glória a Old Trafford? Evidentemente, não são. Tal foi notório nas suas equipas desde que saiu de Itália, e foi notório ainda antes da época começar, já em Manchester, quando uma das primeiras decisões a envolver a sua equipa passou pela contratação de um jogador por 100 milhões de libras. Em demasiados capítulos, este José Mourinho não tem rigorosamente nada a ver com Alex Ferguson.

The Aberdeen style? Pure Fergie.

Sunday, 2 April 2017

Da Covilhã à Luz, com escala no Restelo. 11 leões deram a receita e Manuel Fernandes mostrou como se faz.

Rui Jordão foi autor de 1. O inevitável Manuel Fernandes fez 2. António Sousa, médio, assinou 3 golos. Os verde-e-brancos da Covilhã apontaram o tento de honra de penalty, insuficiente para aliviar a goleada sofrida no José Alvalade por expressivos 6-1. É a 2ª vez que neste «blogue» mencionamos o Sporting Clube da Covilhã. A 1ª refere um dado importantíssimo na história do futebol em Portugal: o Sporting CP e o Sporting C. Covilhã são os únicos emblemas no nosso país que venceram a taça monumental o Século.

Nesta jornada, enquanto a maior potência desportiva portuguesa destruía os leões da Covilhã (ver-se-iam infelizmente despromovidos), as atenções estavam viradas para outro estádio de Lisboa, Restelo, com o Benfica obrigado a passar pelos «Belenenses» a fim de preservar a liderança do campeonato. O Benfica mantinha 2 pontos sobre o 2º classificado, FC Porto de Artur Jorge e Octávio Machado, FCP que recebia por sua vez nas Antas o Vitória de Guimarães. O SLB venceria com um golo solitário de Michael Manniche (ainda ontem mencionei a Swedish Armada do Benfica), saindo do Restelo com os mesmos 2 pontos de vantagem que já tinha. Estávamos na antepenúltima jornada da prova.

13 de Abril de 1986, penúltima jornada, último jogo do ano em casa e o estádio da Luz enche para receber o Sporting. O clima, não obstante muito tenso, é de festa, e com duas rondas para cumprir as bancadas da Luz já exibem bandeiras comemorativas do título de campeão. Ao contrário dos seus adeptos a equipa do Benfica não alimenta festejos antecipados e Diamantino, na manhã do jogo, afirmaria à rádio: temos de estar melhor do que nunca para vencer o Sporting.

Os leões sobem ao relvado duma Luz em chamas, Vitor Damas, Gabriel, Oceano, Venâncio, Morato, Sousa, Romeu, Jaime Pacheco, Carlos Xavier, Ralph Meade e Manuel Fernandes. Rui Jordão e Saucedo começam o jogo no banco. Enquanto a equipa verde-e-branca cumprimenta a multidão com acenos de circunstância, o público responde com uma diabólica carga de impropérios e injúrias. A bola começa a rolar e o público serena. Aos 11 minutos Morato faz o 1º para o Sporting. As bancadas congelam, algumas nuvens acercam-se do campo, um enorme silêncio apodera-se do estádio e para que o clima de festa não esmoreça, aos 22 minutos Manuel Fernandes faz o 2º. Com meia-hora de jogo ainda por cumprir, o Benfica já se via enterrado no seu próprio relvado pela equipa de José Alvalade.
O Sporting passeia classe ao longo de 90 minutos levando, de forma completamente merecida, os 2 pontos para Alvalade.

De cabeça perdida, desanimado, humilhado, o Benfica ver-se-ia novamente derrotado na última jornada, permitindo de forma incrível que o FCP conquistasse o título de campeão Nacional. Os «dragões» dar-lhe-iam bom uso já que na época seguinte, 1986/87, sagrar-se-iam campeões Europeus em Viena.

8 meses passados, orientado por John Mortimore, este mesmo Benfica ver-se-ia violentado no José Alvalade por estrondosos 7-1.

31 anos depois, 2016/17, estão reunidas as condições para que o Sporting contribua, decisivamente, uma vez mais, para que o Benfica não se sagre campeão Nacional. Desejo que assim seja em especial para que lhes neguemos a oportunidade de se juntarem (a nós) ao clube do «Tetra».
Em nome da decência, em nome da virtude, em nome da paz, o futebol português precisa que o Benfica não seja campeão, além de que como vimos ontem esta equipa de Rui Vitória não o merece.
Tal como não o merecem os seus adeptos, quando as novas imagens e os velhos testemunhos da violência vermelha e do terror encarnado com origem no Benfica e nos benfiquistas percorrem mais uma vez o mundo.
Cosme Damião e os verdadeiros benfiquistas (porque existem, não são muitos mas existem), sinto-o, choram de vergonha.

Saturday, 25 March 2017

O veneno de Arsénio Trindade Duarte, na época das «3 Torres de Belém»

9 golos em 39 minutos, entre os 46 e os 85 minutos de jogo. Consegue imaginar?
Arsénio Duarte, Mário Rui e Rogério Pipi, com 3 dos 9 golos apontados em somente 12 minutos. O nosso Albano ainda reduz, mas Arsénio, Mário Rui, novamente Arsénio e novamente Mário Rui em 9 minutos fazem mais 4. Fernando Peyroteo, tal como o público, leva as mãos à cabeça e não quer acreditar, e minutos depois de reduzir aos 85, o árbitro apitou para o final da partida.
Tudo demasiado depressa, à velocidade da luz, a suficiente para que o Sporting CP se visse de rastos, vergado não a uma derrota mas a um pesadelo de 7 golos. Foi a 28 de Abril da época 1945/46.

7-2 foi o resultado final, com 3 Violinos em campo. Foi obra, uma obra do Benfica.
Arsénio Trindade Duarte: 298 jogos, 218 golos
1 Taça Latina, 1949/1950
3 Campeonatos Nacionais, 44/45, 49/50, 54/55
6 Taças de Portugal, 43/44, 48/49, 50/51, 51/52, 52/53, 54/55

No mês seguinte, a 27 de Maio, majestosas, as «3 Torres de Belém» sagrar-se-iam campeãs Nacionais de futebol na «tarde mágica de Elvas», garantindo o 4º campeonato Nacional para o 'os Belenenses' daquele que nesta época, na cerimónia de despedida dos relvados, em jogada individual levantaria o público, um público que saudou com fortes aplausos o gesto do 'Belenense' que no fim da partida entregaria a Taça que vencera nas mãos do capitão do Sporting.

O fracasso prepara-nos para o sucesso, referência ao esmagador nº de títulos que o Sporting conquistaria nos 10 anos seguintes.
1946/47 Sporting CP
1947/48 Sporting CP
1948/49 Sporting CP
1949/50 Benfica
1950/51 Sporting CP
1951/52 Sporting CP
1952/53 Sporting CP
1953/54 Sporting CP
1954/55 Benfica
 [Nota: A época 1949/50 que interrompe um eventual octacampeonato Nacional para o SCP coincidiu com o abandono de Fernando Peyroteo.]
Imagem, aqui.

Friday, 17 March 2017

Quando Marlon Brando equipou de leão rampante ao peito, em Agosto, no Verão quente de 1987, no estádio de José Alvalade.

Marlon Brando nasceu em Abril de 1924 na cidade americana de Omaha. Considerado por muitos como um génio, tratou-se de um dos mais influentes actores na história do cinema mundial e entre as suas mais notáveis prestações, até hoje, constam duas memoráveis: Coronel W. Kurtz em Apocalypse Now de 1979, e Vito Corleone em The Godfather, O Padrinho, de 1972. (Não se trata de António O. Salazar, o padrinho português que na década de 50 convidou o seu povo a construir, gratuitamente, um novo estádio para o Benfica e a quem este clube deve cerca de 1/3 do seu palmarés Nacional.) Apesar de nascido no Nebraska quis o destino que nos anos 80 Marlon Brando se cruzasse com Portugal, em concreto com o Sporting Clube de Portugal. O encontro aconteceu, para espanto de grande parte da imprensa americana, no estádio José Alvalade. Foi a 23 de Agosto de 1987, com o actor a deixar a sua marca aos 28 minutos.
Paulinho Cascavel, por sua vez, bisaria ...

Sunday, 12 March 2017

Fire and wind struck down these giants but in their rage, on the battlefield, they have forgotten the secret of steel

The secret of steel has always carried with it a mystery. You must learn its riddle, Conan. You must learn its discipline. For no one, no one in this world can you trust. Not men, not women, not beasts.
[Points to sword]
This you can trust.
Conan the Barbarian, 1982

Friday, 10 March 2017

Porque são as mães do Sporting melhores do que as mães que não são do Sporting, exceptuando as boas mães que não sendo do Sporting gestaram sportinguistas e as velhacas que criaram brunecos.

I
Olhamos os abismos de frente e por isso mesmo, com lágrimas nos olhos, suprem-se as limitações. Ultrapasse-se a própria dor. Faça-se da deseroização do transitório a exaltação do definitivo. A mãe [a nossa natureza] não manda ser um narciso de virtudes secretas ou de falências toleradas. Ordena vitórias na colaboração, façanhas no meio da praça (...) no cerne dos continentes, nas profundas dos infernos. Miguel Torga, Ensaios e discursos, pp. 146-147

O que lá vai, lá vai -- Pedro Oliveira. Do transitório ao definitivo.

II
Iniciou em Setembro último o ciclo preparatório e diz, a sua mãe, que a motivação não só se faz presente todos os dias como tem a menina desenvolvido especiais aptidões no domínio das artes plásticas ou, se quiser, das belas artes, já que a instituição local de ensino é pioneira num semestre dedicado às aguarelas, tintas acrílicas, e guaches. Disse-me ser ainda frequente, um ano passado, acordar a meio da noite com pesadelos. «As labaredas, não consigo esquecer as labaredas que vinham na nossa direcção». Imagino ter sido o pior. «Não, não foi o pior. Angustiante foi ter gritado à Joana para que corresse e tê-la visto bater no vidro e na rede que fazia de parede». Consigo visualizar. «Gritámos para que abrissem a caixa, para que nos deixassem dali sair já que começavam os mais idosos a asfixiar com o fumo, mas ninguém se mexeu, e do lado de fora diziam somente: temos ordens do alto comando da polícia de segurança pública para aguardar». No dia em que o Benfica construiu uma caixa no seu estádio para acolher os milhares de portugueses do Sporting que se deslocaram ao seu recinto para assistir a uma partida de futebol. Percebi desde então, garanto-vos, o porquê de 'inferno'. Lógico, podendo a cicatriz não desaparecer, suplico para que sobreviva a memória. Porque me segura este homem? Para onde me leva? Não quero ir, quero ficar contigo, só contigo mamã ... palavras  choradas aos soluços pela jóia mais bonita do mundo, nas palavras de sua avó, uma menina chamada Joana que a 26 de Novembro de 2011 foi agarrada e puxada pelo braço por um steward do Benfica enquanto a forçava até à sua cadeira no presídio que esta instituição ergueu para receber as milhares de outras crianças, mulheres e homens que se deslocaram ao seu estádio.

III
Quando eu era pequeno e a mãe  me mandava para a cama, às quartas-feiras de noite, escondia o rádio para ouvir os relatos dos jogos Europeus do Sporting. Costumo dizer, na brincadeira, que vejo o mundo às riscas verdes e brancas. Sou um apaixonado pelo Sporting desde que me conheço, muito com o incentivo da minha mãe que infelizmente me deixou quando eu só tinha dez anos. Ganhei títulos, vivi muitas alegrias e algumas tristezas mas nunca me esquecerei, jamais me esquecerei, que o meu melhor momento foi quando vesti pela primeira vez aquela camisola, porque eu sabia que era o desejo da minha mãe. Ela, como já disse, era apaixonada por futebol. Além de incentivar perspectivou-me o futuro. Dizia-me sempre: primeiro irás jogar no Sarilhense, depois na CUF do Barreiro, e finalmente no Sporting, que era o seu clube do coração e também o meu. E o certo é que acertou. Nunca se lembrou de falar no Vitória de Setúbal (sorrisos), onde terminei a carreira. Ela tinha uma taberna e matava as toupeiras e os ratos que destruíram os cultivos na Quinta do Esteiro Furado. O meu pai era fragateiro, tinha um bote e passava muito tempo no mar, longe de casa. Deram-nos uma boa educação com muito carinho, amor e respeito. Sinto um grande orgulho neles.
Deus criou o homem, ou foi o homem quem criou deus? O homem criou deus. Não vou à igreja, quero que se foda, só em casamentos e baptizados, nunca fui a uma missa nem rezei, apenas acredito no Sporting e na minha mãe.
-- Manuel Fernandes

III e um pouco
... desde os tempos em que se notabilizou ao serviço de uma das suas filiais, o Sporting Clube de Luanda, até ao dia em que partiu para a imortalidade na terra. Pelo meio, a concretização de um amor a 26 de Junho de 1937 no dia em que desembarcou em Lisboa viajado de Angola a-bordo do navio 'Niassa', acompanhado pela senhora sua mãe, sportinguista, professora e agricultora de profissão, na ocasião muito doente. (Esta última parte acrescentei agora: a mãe de Fernando Peyroteo encontrava-se muito doente aquando da vinda de ambos para Lisboa. Ela foi uma heroína como só as mães do Sporting sabem sê-lo.) «A minha mãe fez-me prometer que só jogaria pelo Sporting Clube de Portugal», citação abusiva já que não estou certo das palavras terem sido exactamente estas. Extraordinária declaração e quantos conceitos nelas cabem? Entre mais: promessa, ambição, desígnio materno, promessa e desígnio materno porque atados em laço pela sua mãe.
-- Fernando Peyroteo, A minha mãe faz-me prometer

IV
Nasce-se sportinguista, está-se sportinguista ou tornamo-nos sportinguistas? Para mim é fácil: ser sportinguista, o meu pai, a minha mãe, os meus avós paternos, os meus tios paternos são (ou foram até morrer) sportinguistas. Na minha família o sportinguismo corre-nos nas veias. Detenhamo-nos na imagem (é a mesma com diferentes ampliações) que ilustra este texto ... aquilo que é o Sporting. Meninos, meninas, senhores e senhoras, brancos e negros, prostitutas, alcoólicos, pessoas de todos os tamanhos, de todas as crenças, de todas as cores, irmanados no mesmo amor filial: o Sporting, um amor filial que me leva à imagem que está ali, ao emblema do Sporting Clube de Abrantes, a quarta filial do Sporting Clube de Portugal. Lembro-me menino e moço de passar por ali e olhar aquele emblema com reverência, como algo fantástico, era, de algum modo, a minha plataforma 9 e 3/4, onde apanhava não o comboio para Hogwarts (na altura ainda não existia o Harry Potter), mas sim um tapete mágico que me levava para a relva do estádio José Alvalade, onde sonhava ver Manuel Fernandes, Damas e outros senhores que eu ouvia marcarem golos fabulosos ou efectuarem defesas impossíveis nos relatos da telefonia.
-- Pedro Oliveira, Nascer Sportinguista

Mas há mais: viu o Sporting durante quase 100 anos congregar ou convocar as energias que em abono da humanidade combateram o fascismo português e a opressão do Benfica. Aprofundemos um tanto porque dissemos na ocasião, simples e aquilo de que ninguém fala, poucos porventura conhecem: em 1974 o Sporting Clube de Portugal saiu do país deixando para trás as lágrimas de muitas famílias, mulheres, mães e crianças para em solo germânico combater na então RDA a poderosa (nesses tempos) formação do Magdeburgo. Qual a relevância deste jogo? O Sporting CP em 24 de Abril despediu-se à saída do Estado Novo de Marcelo Caetano e quando regressou da República Democrática Alemã foi acolhido por uma nação livre. Afirme alguém o rei vai nu, perguntarei por que motivo nas escolas portuguesas ninguém fala nisto. É o despido país que temos.
Ainda assim, o 25 de Abril permanece, queiram ou não Marcelo Caetano e os benfiquistas, uma dívida que deverá ser paga ao Sporting Clube de Portugal. A dívida será um dia cobrada. Ontem não te vi no estádio da Luz. Vi-te no mato, trazido pelas carrinhas e jeeps do exército a bordo de corvetas no alto-mar com os rádios emissores dos sons de guerra.

V
Pelo Tivoli passaram em mais de 90 anos alguns dos nomes mais importantes do mundo da cultura, da arte, do teatro, do cinema, da música, e do caralho. E hoje passará o mais importante pesado e titulado clube português de todos os tempos. Passar-me-á ao lado, também, nada a fazer quanto a isso. Só espero que não passe ao lado de muitos porque existem coisas realmente importantes e esta é uma. Pelos leões temos a sensível, cultivada, pura, diligente, melodiosa, mãe e sportinguista bonita Matilde Trocado ... porque para cada público, um diferente cartaz. Responsabilidade é a palavra.


Um beijinho mãe, e obrigado.
Muito bonita, tu e ela.

Wednesday, 8 March 2017

"É a primeira vez que consta que um primo do presidente faz parte dos órgãos sociais, nomeadamente da Administração da SAD"

"A título de curiosidade" como diz o nosso amigo Rui, a quem aproveitamos para enviar um abraço, muita gente (muitos sportinguistas) desconhece(m) que Jaime Marta Soares, presidente da Mesa da AG do Sporting, é sogro de Bruno de Carvalho. É, ou era, consoante já se tenha consumado, ou não, o divórcio do presidente do Sporting com a sua antiga companheira / esposa.
Quando se fala do Sporting Clube de Carvalho, é também sobre isto que se fala.

O «post» que remete para um aparente primo que fará aparentemente parte da Administração da SAD do Sporting, e que terá vindo a lume em virtude de uma suposta procuração passada em seu nome, pode ver-se lido aqui.

A justiça caiu para o lado de Marco Silva mas infelizmente o autor moral do crime continua a monte

É com bastante satisfação que lemos as notícias da condenação de José Eduardo em tribunal pelo crime de difamação no processo que o opunha a Marco Silva. Relembramos que o contributo de José Eduardo foi indispensável na campanha perversa que viu o ex treinador do Sporting publicamente humilhado pelo clube que representou com inegável profissionalismo e brio na época de 2014/15. Como parte da sentença, José Eduardo vê-se condenado ao pagamento a Marco Silva de uma indemnização de 10000 euros bem como ao pagamento de 5400 euros de multa ao Estado a que se somam as despesas judiciais do processo. Além destas, José Eduardo terá ainda de suportar os custos do anúncio da sentença nas edições dos 3 maiores jornais desportivos e generalistas do país além do anúncio da sentença nos canais de televisão RTP e RTP3.

Ainda assim, por se tratar de quem instrumentalizou José Eduardo ao longo da campanha miserável que visou o assassinato público do nosso (então) treinador cujo desfecho seria um vergonhoso despedimento por justa causa (vergonhoso para o Sporting, não para o nosso ex treinador), lamenta-se que o maior responsável pelo caso escape mais uma vez por entre os pingos da chuva como se nada tivesse a ver com o assunto. Pequenino, ridículo e sonso como sempre, os sportinguistas sabem no entanto ter sido Bruno de Carvalho - e não a sopeira José Eduardo - o verdadeiro autor moral de um crime e de um caso (mais um) que como disse envergonhou / envergonha o Sporting Clube de Portugal.
Há valores mais importantes que o dinheiro. A indemnização tem um peso relativo, o prestigio e a pessoa do Marco Silva falam por si. A decisão era a esperada e veio demonstrar que a justiça funciona. A verdade foi reposta. As pessoas não podem, impunemente, atentar contra a honra e dignidade dos outros. O essencial é a condenação. A indemnização é secundária.

Sunday, 5 March 2017

Sporting CP 1 - 1 Vitória SC. O Carvalho já tinha avisado ...


Duplo título Nacional para o Cross (palmarés actualizado)

Fim-de-semana repleto de glória para o atletismo do Sporting e em particular o Cross, disciplina que na Pista do Concelho de Mira, na Praia de Mira, viu as suas principais equipas feminina e masculina conquistar os respectivos títulos Nacionais. Os resultados das senhoras (no clube) ascendem agora aos 5 campeonatos Nacionais ao passo que os homens, agora bicampeões, conquistaram o 46º campeonato Nacional para o Sporting.

O palmarés já actualizado na barra lateral (pode consultá-lo aqui, com mais detalhe) ordena-se agora do seguinte modo:

46 Campeonatos Nacionais Pista, feminino 
1944/45, 1945/46, 1946/47, 1958/59, 1959/60, 1960/61, 1961/62, 1962/63, 1963/64, 1964/65, 1965/66, 1966/67, 1967/68, 1968/69, 1969/70, 1970/71, 1971/72, 1972/73, 1973/74, 1974/55, 1975/76, 1978/79, 1979/80, 1980/81, 1986/87, 1994/95, 1995/96, 1996/97, 1997/98, 1999/99, 1999/00, 2000/01, 2001/02, 2002/03, 2003/04, 2004/05, 2005/06, 2006/07, 2007/08, 2008/09, 2010/11, 2011/12, 2012/13, 2013/14, 2014/15, 2015/16

22 Campeonatos Nacionais Pista Coberta, feminino
1994/95, 1995/96, 1996/97, 1997/98, 1998/99, 1999/00, 2000/01, 2001/02, 2002/03, 2003/04, 2004/05, 2005/06, 2006/07, 2007/08, 2008/09, 2010/11, 2011/12, 2012/13, 2013/14, 2014/15, 2015/16, 2016/17

5 Campeonatos Nacionais Cross, feminino
1971/72, 1972/73, 1973/74, 2013/14, 2016/2017

48 Campeonatos Nacionais Pista, masculino
1940/41, 1942/43, 1944/45, 1945/46, 1946/47, 1947/48, 1949/50, 1955/56, 1956/57, 1957/58, 1958/59, 1959/60, 1960/61, 1961/62, 1962/63, 1963/64, 1964/65, 1965/66, 1967/68, 1968/69, 1969/70, 1970/71, 1971/72, 1972/73, 1973/74, 1974/55, 1975/76, 1976/77, 1977/78, 1978/79, 1980/81, 1984/85, 1986/87, 1987/88, 1994/95, 1996/97, 1997/98, 1998/99, 1999/00, 2001/02, 2002/03, 2003/04, 2004/05, 2005/06, 2006/07, 2007/08, 2008/09, 2009/10

17 Campeonatos Nacionais Pista Coberta, masculino 
1995/96, 1996/97, 1997/98, 1998/99, 1999/00, 2000/01, 2001/02, 2002/03, 2003/04, 2004/05, 2005/06, 2006/07, 2007/08, 2008/09, 2009/10, 2010/11, 2016/17

46 Campeonatos Nacionais Cross, masculino 
1911/12, 1927/28, 1929/30, 1930/31, 1934/35, 1940/41, 1941/42, 1942/43, 1947/48, 1948/49, 1949/50, 1951/52, 1958/59, 1959/60, 1960/61, 1961/62, 1962/63, 1964/65, 1965/66, 1966/67, 1967/68, 1968/69, 1969/70, 1970/71, 1971/72, 1972/73, 1973/74, 1975/76, 1976/77, 1977/78, 1978/79, 1979/80, 1981/82, 1982/83, 1983/84, 1984/85, 1985/86, 1986/87, 1987/88, 1988/89, 1990/91, 1992/93, 1994/95, 1996/97, 2015/16, 2016/17

[Muito obrigado a Henrique Salgado por nos manter actualizados]

Temos de escrever glória, vem aí um novo ciclo. Agora é que é, juro.

Bruno de Carvalho viu-se ontem reeleito para mais 4 anos à frente do Sporting. Sem surpresa, a vitória e o resultado alcançado - 86,13% para o presidente do Sporting e 9,49% para Pedro M. Rodrigues - reflectem as dinâmicas entre os proponentes ao longo da campanha (últimos 2 meses), e espelham o estado de espírito reinante no clube ao longo dos últimos 5 anos.
Afirmando-se cedo como uma das suas mais notórias inquietações, Bruno de Carvalho e o grupo que o rodeia criaram, nos últimos 4 anos, o contexto para que hoje se vissem reconfirmados à frente do Sporting. Esse contexto resume-se na imagem fabricada de Bruno de Carvalho, e na imagem fabricada dos méritos do Sporting ao longo deste período.
A realidade demonstrar-nos-á, como fez nos últimos 4 anos, que com este presidente e estes decisores o Sporting continuará, em 90% do tempo, a ver-se desportivamente batido pelos seus rivais. A realidade tratará ainda de demonstrar, ao contrário do que ontem Bruno de Carvalho reafirmou, que à semelhança de tantos outros nas últimas 3 décadas, este Sporting continuará a ver-se banalizado por todos aqueles que em Portugal não são os seus adeptos.
O Sporting é, de algum modo, o novo Benfica. Se pensarmos sobre isto (dispenso fazê-lo) teremos de concluir tratar-se de um feito admirável.

"Os sócios mostraram que não querem um Sporting elitista mas um Sporting popular", apropriada, então, a reeleição do betinho da Aragão Pinto para uma nova lipoaspiração e milhares de aventuras nas mais proeminentes páginas da socialite portuguesa. O status privilegiado e elitista do presidente do Sporting viu-se, ontem, salvaguardado por parte do povo português que simpatiza e paga quotas no clube. Muitos séculos depois é isto que faz de Portugal um país tão especial ... para pessoas como Bruno de Carvalho e demagogozinhos da sua espécie.

"Hoje foi uma grande vitória do maior clube de Portugal e do mundo: o Sporting Clube de Portugal. Tivemos de escavar o nosso caminho mas agora vai iniciar-se um novo ciclo e o que queremos é escrever as paredes de glória. Vou superar-me, fazer cada vez mais, quero chorar ao vosso lado de alegria. Quero dizer ‘viva o Sporting campeão’. É esse o meu objetivo para os próximos quatro anos. Obrigado pai, obrigado Catarina, amo-te Joana. Obrigado por tudo. Agora a responsabilidade está no topo. Temos de escrever páginas e páginas de glória. Vou citar o meu tio-avô, Pinheiro de Azevedo, que foi primeiro-ministro de Portugal. Bardamerda para todos os que não são do Sporting.
Os rivais que hoje acordem, que hoje estremeçam, que o Sporting está aqui para ficar, está aqui para liderar" 

Estamos certos que os rivais não dormem a pensar no perigo que o Sporting constitui, e a primeira coisa que fazem quando acordam é estremecer.

Resultados completos:

Conselho Directivo
Lista A: 8262 votos – 9,49%
Lista B: 74982 - 86,13%

Conselho Fiscal
Lista A: 9173 – 10,55%
Lista B: 78894 – 82,72%

Mesa da Assembleia Geral
Lista A: 8923 – 10,2%
Lista B: 71771 – 82,50%

"Despedir Jorge Jesus foi uma promessa marcante. Mas hoje faria o mesmo. É um bom treinador. Foi uma decisão com peso eleitoral"

É obrigatório exprimir um agradecimento a Pedro M. Rodrigues pela disponibilidade e pelo sacrifício de se candidatar à presidência do Sporting, especialmente se considerarmos o contexto radicalizado e mesquinho promovido pelo seu actual presidente. Não obstante a confiança que em diversas ocasiões reiterou numa vitória, creio que ele sabia ser praticamente impossível alcançar um resultado diferente do que vimos. Mas por essa exacta razão importará respeitar a sua decisão e a postura de princípio que adoptou, independentemente da concordância ou da discordância com a totalidade das suas propostas. Ainda alvos do nosso agradecimento:

László Bölöni, Juande Ramos, Delfim e tantos outros que se disponibilizaram para colaborar com o Sporting.

Tal como se perspectivava em Dezembro, 2017 mais não era do que um ponto de partida no qual os resultados da eleição se revelarão (revelariam) pouco importantes.

Disse-nos ontem PMR:

"Agradeço a Boloni e a Juande Ramos que estiveram a sofrer em casa. Alguns criticaram quem, como eu, tiveram a audácia de avançar. Vão dormir hoje pior que eu. Saio com consciência tranquila. Cumpri o meu dever como sportinguista. Continuarei a ser um sócio normal, atento às promessas feitas. Domingo lá estarei para apoiar a equipa. Estas eleições mostraram ainda que é importante não confundir o Sporting com quem o lidera. Os presidentes passam, o Clube fica. Reunidos não à volta de uma pessoa, mas do nosso Clube."

"Despedir Jorge Jesus foi uma promessa marcante. Mas hoje faria o mesmo. É um bom treinador. Foi uma decisão com peso eleitoral."

Saturday, 4 March 2017

O Sporting acordou, no mundo dos alienados

O Benfica foi, dos três grandes, o que menos gastou em salários na primeira metade da temporada. Segundo apurou o 'Expresso' (os tricampeões ainda não divulgaram o seu Relatório e Contas), os custos com pessoal por parte dos encarnados no primeiro semestre de 2016/17 andaram na casa dos 30 milhões, o que os coloca no terceiro lugar de uma lista com FC Porto e Sporting. E se os dragões são há algum tempo o clube com os salários mais elevados, a novidade aqui passa pelo facto de os leões terem ultrapassado as águias. Segundo o Relatório e Contas do Sporting, a SAD gastou 31,6 milhões de euros com pessoal, verba que fica assim acima da do Benfica e apenas superada pela dos portistas (38,9 milhões), desde 2014/15 no topo desta contabilidade.

Tal como se argumenta há muito e ao contrário, inclusivamente, do que alguns críticos do actual presidente do Sporting afirmaram nos últimos meses, em futebol orçamentos reduzidos nunca colocaram, não colocam, não colocariam o Sporting numa situação de inferioridade relativamente aos seus rivais. Consideradas as dinâmicas desta actividade e negócio, ao contrário do que acontece na esmagadora maioria das outras modalidades, em futebol não existe uma relação directa entre qualidade e custo: podemos encontrar muitos bons jogadores igualmente caros e baratos, e podemos encontrar uma quantidade considerável de maus jogadores igualmente caros e baratos. Para efeitos de qualidade, o que separa então um plantel muito capaz de outro mais debilitado não é o orçamento mas a capacidade para destrinçar uns dos outros.

Actualmente, 2016/17, tendo o Sporting a 2ª mais pesada folha salarial entre os 3 grandes e tendo, igualmente, um treinador que sozinho custa mais do que os 2 treinadores rivais somados, temos garantidamente o plantel com menos qualidade dos 3. Para efeitos de plantel a distância é aliás enorme.
Na imagem, o principal responsável pelas modalidades e o director desportivo para o futebol explicam-nos porquê: o Sporting tem decisores sem qualquer vocação ou aptidão para o que fazem. É assim há décadas.

Friday, 3 March 2017

Pense sobre isto antes de votar (a ilusória pujança desportiva do Sporting)

Ao contrário do que o discurso institucional («posts» do presidente do Sporting nas redes sociais) repete, pretendendo convencer adeptos mais distraídos e drogados pela sua demagogia, é errado pensar que os últimos 4 anos do Sporting são sinónimo de pujança desportiva. Evitando as sofríveis comparações com o pior possível, neste caso o período 2009-2013, consciencialize-se a bem do Sporting que a maioria das actuais secções do clube não estão capacitadas para devolver ao clube a glória que há quase 40 anos, em futebol, e há mais de 20 no grosso das modalidades lhe escapa. Se este Sporting pretendesse (não pretende) retomar a dianteira investindo nas suas estruturas de formação, método mais difícil mas simultaneamente o mais eficiente para atingirmos sucesso, faria sentido passar os olhos por cima de 4 anos sem títulos Nacionais nas principais modalidades que praticamos (exceptuando o futsal), perspectivando, em condições normais, que o horizonte a médio prazo se afiguraria risonho. Todavia, não é este o plano onde nos encontramos.

Ao afirmar que "os títulos chegarão no próximo mandato", Bruno de Carvalho demonstra estar a leste de perceber as razões pelas quais não chegaram neste. Teríamos a obrigação de tê-los alcançado? Completamente. Tal como o presidente do Sporting afirmou em muitas ocasiões, o clube teve realisticamente todas as condições para se ter sagrado campeão Nacional em atletismo, futebol, futsal, hóquei em patins e andebol. Porquê? Porque ao contrário de procurar fazer um trabalho de fundo no seu edifício de formação (tal como o Benfica fez como exemplo nos últimos 15 anos, com os resultados que se conhece), Bruno de Carvalho escolheu, a reboque de tentativas simplórias e popularuchas de aclamação, o caminho mais superficial e fácil de todos: dotar as principais equipas do clube de atletas e treinadores consagrados que nos permitissem chegar aos títulos instantaneamente. Uma vez que o clube não tem capacidade para gerar recursos que lhe permitam sustentar as actuais despesas ordinárias (vencimentos e outras), além de não garantir qualquer sucesso a médio e longo prazo, no curto prazo esta política falhou estrondosamente.

No masculino, o Sporting não estará consistentemente na dianteira do atletismo Nacional recrutando, como fez nesta temporada, os melhores atletas dos seus rivais. No feminino, os títulos Nacionais de futebol não serão difíceis de alcançar a partir do momento em que os principais rivais do Sporting não se fazem presentes. Tendo incomparavelmente mais recursos que lhe permitiram recrutar as melhores jogadores, e tendo simultaneamente muito melhores condições (estruturas físicas) relativamente à esmagadora maioria dos outros clubes que competem na principal liga, a obtenção de títulos no futebol feminino é para o Sporting uma mera formalidade. Assim, olhado o contexto da sua obtenção (consumada no caso do atletismo, presumível para o futebol feminino), os campeonatos Nacionais nestas duas parcelas não chegam para disfarçar o fracasso que constituiu a pavorosa aposta (orçamento disponibilizado) nas principais equipas das modalidades colectivas que o clube pratica. Pavorosa por (novamente) não incidir nas suas estruturas de formação.

Permanecemos sem basquetebol, sem voleibol e não alcançámos, nem alcançaremos, os campeonatos Nacionais de andebol e de hóquei em patins não obstante termos nestas duas modalidades os maiores orçamentos entre todos os clubes. Não direi mais importante mas seguramente mais cobiçado, também não alcançámos, nem alcançaremos, o campeonato Nacional de futebol não obstante termos hoje um orçamento próximo dos rivais e não obstante termos o melhor treinador da principal liga de futebol portuguesa. Só para o futebol e tal como já sugeri noutras ocasiões, os últimos 2 anos em que tivemos um treinador tão especial como Jorge Jesus foram nada menos do que uma enorme oportunidade desperdiçada. Assim é porque o Sporting não tem dirigentes de qualidade. Quando na última temporada éramos campeões de Janeiro com 7 ou mais pontos de avanço para o 2º classificado, e já depois de os termos derrotado em duelos directos num trio de ocasiões, o presidente do Sporting exibiu toda a sua insignificância, superficialidade, vaidade, falta de inteligência e falta de conteúdo quando decidiu atirar os foguetes reclamando que os outros dessem mais luta. Imagine que o Sporting até tinha conquistado esse título. Será meramente um (1) título aquilo que nos chega olhados os nossos últimos 40 anos? Seremos melhores ou estaremos melhores relativamente ao FC Porto e ao Benfica por sermos campeões uma (1) vez? Não premeie a estupidez.